Passagem para o primeiro ciclo… o que realmente importa

Os meus meninos, são, na sua maioria, finalistas, pelo que a maioria das crianças ingressa no primeiro ciclo do ensino básico, vulgo escola primária, no próximo ano letivo. A verdade é que me deparo muitas vezes com algumas dúvidas sobre o que realmente importa. Que competências devem ser avaliadas e observadas? Que competências devem ser trabalhadas? Questiono muitas vezes o que podemos fazer em casa. Tendo tudo isto em mente, pesquisei, questionei, pedi ajuda e elaborei um post, que pretende ser um guia para pais e educadores nesta tarefa tão importante que é preparar as crianças para a escola primária! Mas não pense que serve só para os ditos finalistas. Não, todas estas competências podem e devem ser trabalhadas desde muito cedo. Com a Carlota já trabalho quase todas há algum tempo e, não, a minha filha não é sobredotada. É uma criança normal, que tem uma mãe que gosta de trabalhar com ela competências que sabe serem importantes! 🙂

Então, aqui vão algumas das competências essenciais para a entrada no primeiro ciclo:

  1. Maturidade! Para mim, a mais importante competência a avaliar, compreendendo que, à partida, existe uma idade ótima para as aprendizagens escolares, em termos de neurodesenvolvimento: os 7 anos. É importante observar que capacidade da criança em aspetos tão comuns como o adiar de uma recompensa; o conseguir esperar pela sua vez; o seguir as regras de convivência; o tolerar a frustração; e ainda a curiosidade/interesse em apreender e perceber que já não é só para brincar. O que podemos fazer: não ceder a birras (aumenta a sua capacidade de lidar com a frustração), responsabilizar (SEMPRE), é preciso explicar à criança que a sua atitude não foi a mais correta, fazê-la refletir e perceber. Se compreende logo? Claro que não, mas não é por isso que deixamos de o fazer. Também é importante o brincar, mas isso podem ler aqui. Outra coisa que podemos, e devemos, fazer é permitir à criança o fazer sozinha, promovendo sempre a autonomia.
  2. Consciência fonológica, ou seja, pensar e perceber os sons das palavras. Como podemos ajudar?Soluçar uma palavra para a criança adivinhar o que estamos a pensar, dividir as palavras em sílabas com batimentos rítmicos (palmas), perceber se as palavras rimam, dizer a primeira sílaba da palavra, encontrar palavras que começam pela mesma sílaba ou o mesmo fonema, evocar palavras com uma sílaba ou um fonema… Tudo isto são exercícios que podem ser feitos em casa de forma divertida!
  3. Concentração! Umas das coisas importantes a ter em conta é a capacidade da criança em direcionar a sua atenção e manter-se na tarefa. E isso pode ser trabalhado em casa? Pode e é super fácil de fazer. Com puzzles, desenhos, plasticina, legos, cartas… Tudo o que faça a criança estar sentada, quieta e sossegada! Dá algum trabalho, até porque se não está habituada a fazê-lo vai-lhe custar e vai rejeitar, mas o que tem que ser tem muita força! E não são jogos e puzzles no tablet ou no telefone. É na mesa, com os de cartão. Esqueçam os ecrãs quando o objetivo é trabalhar a concentração, é pelo melhor.
  4. Raciocínio! Pode parecer um exagero, mas há perguntas e jogos que se pode fazer e que são um enorme treino para o cérebro. Por aqui a pergunta clássica: “Tens dois rebuçados, dou-te mais um, com quantos ficas?”. Este é o início de um jogo que pode ter imensas variantes. Ao princípio custa-lhes, mas depressa percebem a mecânica. Para além disso pode ser feito em qualquer lado, no carro, numa ida ao supermercado, à mesa…
  5. Interpretação de textos. As histórias são um importante aliado no desenvolvimento de algumas competências na criança. Desde logo a capacidade da criança desenvolver a imaginação, a compreensão do mundo e a criatividade. Mas para isso a criança terá que os interpretar, terá que perceber um texto, perceber do que fala a história, quais as personagens ou onde se localiza a ação.  E não é difícil de trabalhar esta competência, se a cada história que contamos acrescentarmos algumas questões. Para além disso estamos a trabalhar a concentração!

*Beijinhos*

Sofia

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O que uma criança não precisa de ouvir!

O facto de ser educadora permite-me observar o mundo infantil de um ponto de vista crítico, sem, no entanto, o julgar. Não sou melhor do que ninguém, nem pretendo ser, mas tenho a obrigação de alertar e nunca desistir de lutar por um mundo melhor para as crianças. A verdade é que não raras vezes dizemos coisas às crianças que estas não têm necessidade de ouvir. Não precisam mesmo e algumas podem até prejudicar. Podem prejudicar a auto-estima, podem moldar uma personalidade, podem incentivar um comportamento. Não raras vezes o que dizemos não vai alterar o comportamento errado, vai, isso sim, promover um rótulo à volta da criança que influenciará, talvez para sempre, o seu comportamento.

Então, o que NUNCA devemos dizemos a uma criança:

  • Não gosto de ti! Ora não me lixem, quem é que deixa de gostar de uma criança porque ela faz um disparate. Ainda mais se for nosso filho! NINGUÉM! Mas a criança pode achar que sim e isso o que provoca? Uma diminuição da auto-estima!
  • Não prestas para nada! Sério? Não presta mesmo? Com certeza que presta e que é o melhor do nosso mundo!
  • Nunca fazes nada de jeito! Nunca, mesmo nunca. Não me acredito!
  • Estás sempre a chorar, és uma chorona! Não está nada e se está é porque algo se passa! Aqui pecadora me confesso, já me escapou algumas vezes!
  • Portas-te sempre mal! Sempre, sempre, sempre? Nã! De certeza que alguma vez ele portou-se bem.

Tudo isto dito de forma consistente leva a que a criança acredite que é mesmo assim, condicionando o seu comportamento pela negativa. Para a criança, a questão dos rótulos não altera comportamentos, mas influencia-os. Leva a criança a acreditar que é mesmo assim e se é assim, para quê mudar! Para além disso, alguns tipos de discursos podem influenciar negativamente a auto-estima e a capacidade de resolver problemas.

E por aí, concorda comigo? Tem mais alguma coisa a acrescentar?

*Beijinhos*

Sofia

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5 coisas que todas as mães devem repetir

São apenas cinco as coisas que devemos interiorizar e dizer, para nós, todos os dias, várias vezes ao dia! Eu também, claro está! 🙂

  1. Eu não sou perfeita, a perfeição não existe! Não existe mesmo e, se nós próprias não somos, as outras mães também não e essa é a mais pura das verdades. Temos que parar com essa ideia de que fazemos tudo bem e melhor do que toda a gente. Não fazemos, nunca vamos fazer e é nessa imperfeição que está a nossa humanidade. É nessa imperfeição que está o amor que sentimos pelos nossos filhos. É essa imperfeição que os nossos filhos tanto amam.
  2. Eu não julgo, se eu faço o meu melhor as outras mães também! Para além de que para uma mãe o correto, para outra pode ser um enorme disparate. Somos todas diferentes, enquanto mães e enquanto seres humanos. Acharmos que a nossa verdade é a mais certa é puro egoísmo. A nossa verdade está tão certa como a verdade da vizinha do lado, da dona do café, da caixa do supermercado… Eu não tenho que julgar se outra mãe não quis amamentar ou se o fez até aos seis anos, eu não tenho que julgar se a mãe prefere viajar sem os filhos, nem tenho que julgar se a mãe só viaja com os filhos!
  3. Eu respeito as outras mães! Na fila do supermercado, nas repartições públicas… Eu respeito a diferença de personalidade e de sentimentos. Eu respeito as outras mães porque sou diferente delas e elas diferentes de mim. Eu respeito as suas opções, mesmo quando não concordo. Eu respeito e não tenho que tentar impor a minha vontade. EU RESPEITO!
  4. Eu não comparo, não comparo, não comparo! As crianças são todas diferentes, apesar de parecer que são todas iguais! E sabe porquê? Porque as crianças são diferentes e muitas das vezes, na maioria das vezes, não há atrasos, há apenas timings diferentes. Eu, enquanto educadora (várias vezes de berçário), sei disso tão bem. As crianças, como nós, são diferentes, têm timings diferentes, respondem aos estímulos de maneira diferente, são, algumas vezes, culturalmente diferentes…
  5. Eu respeito todas as crianças! TODAS! A minha e as dos outros. E respeito de igual forma. E respeitar é perceber que cada uma é um ser único e individual. É saber que temos responsabilidades sobre todas elas. É perceber que na maioria das vezes elas devem ser a nossa prioridade.

Eu encontrei cinco, quer acrescentar alguma coisa? 🙂

*Beijinhos*

Sofia

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O seu filho come mal? Isso também pode ser bom!

Esta é a visão de quem já viveu de perto a realidade de crianças que comem mal e das que comem bem de mais. Tive em casa uma que não comia quase nada e hoje tenho uma que come melhor. Qual preferia? A que come mal, mil vezes. Uma criança nunca morre à fome, é uma questão de sobrevivência, já ter que negar comida a uma criança porque come de mais, isso sim, é complicado. Cá em casa o mais velho nunca queria comer, a mais nova (apesar de comer bem o que lhe agrada) por vezes também não quer. Se me preocupo? Nada. Alturas houve que me preocupava imenso com isso, hoje não. Não quer comer, não come. Mas quando quiser comer, come o que eu quero e não o que ela quer. Se assim não fosse alimentava-se a gelados e bolachas e isso não pode ser, pois não? Acaba por comer, contrariada, mas come. E come porque sabe que não tem outra alternativa.

E por que é que ter um filho que come mal pode ser bom!

Porque nunca, mas nunca mesmo, vai ter problemas com excesso de peso. Porque pode comer o que quiser. Porque não necessita de fazer restrições. Porque comer mal é mais saudável do que comer de mais. Ou acha que uma criança magra, mesmo que seja muito magra, é menos saudável do que uma obesa? Já vi crianças sofrerem com diabetes devido à má alimentação, crianças obesas, com demasiado açucar no sangue, and so on e isso é tão mau! E muitas vezes o problema está só em casa (e eu contra mim falo). A verdade é que muitos dos que comem mal, só comem mal em casa. Tenho disso na sala desde sempre, faz parte. E em casa também! A terapia de grupo funciona desde tenra idade, pelo menos parece. Se não come nunca, de maneira nenhuma e em local nenhum, bem isso já é preocupante. Mas a verdade é que, por muito que nos custe, a nossa ansiedade ainda vai prejudicar mais. Tente manter a calma e pense sempre que é preferível…

…ter uma criança em casa que coma mal, do que uma que come de mais! 🙂

E por aí como é? Comem mal, bem, assim assim… Fica muito angustiada ou relativiza e espera que a fome venha? Conte-me tudo! 🙂

*Beijinhos*

Sofia

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