Cinco razões porque devem as crianças brincar com legos!

E porque está a chegar o Natal e há muita gente que não sabe o que oferecer aos miúdos, deixo aqui uma ótima sugestão, a primeira de várias!

O Lego é aquele brinquedo que existe desde que me lembro que sou gente, e eu sou gente há muito tempo. Era grande fã, tinha um vizinho que tinha imensos, passávamos horas naquilo. Estradas, cidades, carros, carrinhos, bonecas, casas, de tudo havia e de tudo nós construíamos… TUDO! Saudosismos à parte, a verdade é que os legos estão aí para ficar e saíram de uma marca para denominar toda e qualquer peça de encaixe.

Agora a parte que interessa, porque são os legos importantes?

Porque quando a criança brinca livremente com as peças de encaixe mais famosas do mundo desenvolve uma série de competências importantíssimas pela vida fora. A verdade é que não há criança que não goste (eu não conheço!), mesmo as que não estão habituadas. E se começam sem saber muito bem o que fazer, rapidamente fazem verdadeiras construções dignas de um qualquer arquiteto.

Então, porque são tão importante? Que competências desenvolve a criança quando brinca com legos? São eles assim tão importantes?
São cinco as razões porque devem as crianças brincar com legos:
  1. Motricidade – A fina, principalmente, quando encaixa e movimenta as diferentes peças.
  2. Matemática – Com os legos a criança trabalha conceitos tão importantes como a classificação (agrupa por cores, tamanhos, etc.) ou a seriação (coloca por ordem). Desenvolve também a noção de espaço, percebe as cores, a diferenciação de tamanho e a quantidade. Esta atividade espontânea da criança permite-lhe perceber o mundo de forma lúdica e divertida.
  3. Resolução de problemas – Os problemas são algo que acontece vezes sem conta, durante toda a vida, com as crianças não é diferente. Mas o que para nós, adulto, é fácil de decifrar, para uma criança, muitas vezes, imensas vezes, não o é. Uma torre que cai, uma peça que não encaixa, uma peça que falta, muitas são as situações com que se depara enquanto constrói e muitas são as vezes em que, de forma autónoma, vai ter que resolver esse problema.
  4. Auto-estima e autonomia – Quando uma criança resolve os problemas de forma autónoma, vê crescer a sua auto-estima, ao mesmo tempo que desenvolve a autonomia.
  5. Criatividade e imaginação – Para mim uma das mais importantes competências a desenvolver na criança e os legos são ótimos para isso. Quando entregamos a uma criança uma data de peças, a sua reação é criar, é algo natural. Criam torres, cidades, veículos e criam, ao mesmo tempo, histórias e personagens, vivem aventuras e personificam a vida real. Na verdade, mesmo quando oferecemos legos com peças para construir algo standard, o que a criança vai fazer não é replicar o que na caixa, o que a criança vai fazer é criar algo novo. E assim tem muita mais piada.

*Beijinhos*

Sofia

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Livros infantis: guia prático por idade!

Há algum tempo desafiaram-me a escrever um post sobre os livros adequados para cada idade. Sei, com conhecimento de causa, quais adotar e quais oferecer, pelo menos, até aos seis anos. Conheço muitos de perto, leio bastantes, ofereço uns quantos, tenho em casa imensos! 🙂
Sou apaixonada por livros, compro alguns da minha área profissional e, essencialmente, livros infantis. Compro para a Carlota e aproveito-os para a escola. Muitas vezes a escola é o teste sobre o interesse que o livro pode suscitar. A Carlota tem livros desde que nasceu e aos três meses viu, admirada, o seu primeiro livro de animais. Ria-se enquanto eu lhe mostrava as imagens, reais, dos diferentes animais. O pai diz que foi com esse livro que aprendeu a falar! 🙂

A verdade é que para cada fase há livros mais ou menos apropriados. Há uns que são indicados para determinada idade e há os que são transversais.

Deixo então os meus conselhos acerca dos livros:

Até aos dois anos:

  • Livros com imagens reais – Durante os dois primeiro anos deve-se dar primazia aos livros com imagens reais, já que a criança organiza a compreensão que tem do mundo da seguinte forma: primeiro compreende o objeto real; de seguida o objeto em miniatura; depois a imagem real (fotografia); seguida da imagem colorida; e, por fim, compreende a imagem a preto e branco. O livro com imagens reais ajudam a criança a perceber melhor o que vê e aumenta a sua compreensão do mundo que a rodeia.
  • Livros com relevos – Quando a criança é muito pequena deve ser estimulada, mais do que qualquer outra coisa, pelos cinco sentidos. Sabe-se que o trabalho até aos três anos deve viver muito da estimulação dos cinco sentidos, razão pela qual a criança deve experimentar diferentes sensações.

A partir dos dois anos:

  • Pequenas histórias – As clássicas histórias de encantar simples e resumidas são indicadas para estas idades. Os miúdos costumam adorar as que metem o lobo mau, com imagens coloridas e bem ilustrativas do que se passa. Lembro-me que a Carlota, antes dos dois anos, já “contava” umas que se vendem no Continente da coleção “Era uma vez”. Os livros com as imagens reais ainda valem nesta altura, mas já se pode complexificar um bocadinho. Os livros com pop ups também são uma boa opção, são chamativos e interessantes, não duram muito tempo inteiros, é uma verdade, mas isso faz parte.
  • Livros com interesses específicos para a idade – Livros que abordam temas como a entrada na escola, o largar da chupeta ou da fralda são muito importantes por volta dos dois, três anos, altura em que estas situações acontecem. Aqui, dou especial relevo aos da Nonô, dos quais falei aqui e aqui, são livros simples, com histórias pequenas e de fácil compreensão! 🙂

A partir dos três anos:

  • Livros com interesses e moral específicos – Há livros que abordam temas importantes como, por exemplo, o nascimento de irmãos, as regras, o medo ou a ida para escola. Nestes destaco duas coleções que existem cá em casa e que a Carlota adora, as histórias da “Matilde”, da “Alice” (ambos da BookSmile) e do “Simão” (da Fábula) . Há ainda as do “Rato Renato” (da Edições Asa), que reunem bastante consenso por parte dos miúdos.
  • Histórias de encantar – Há os clássicos, como a Branca de Neve ou o Capuchinho Vermelho e depois há as adaptações, em que destaco os d’ “A Cabeleireira Encantada” (da BookSmile), a miúda cá de casa adora-os e os miúdos na escola também! 🙂
  • Livros científicos – Os livros com interesses mais científicos podem ser introduzidos antes dos quatro anos, depende sempre do interesse da criança, mas a maioria só desperta para estes assuntos nesta idade. Claro que são livros adaptados, livros nos quais determinado assunto é abordado de forma simples e à medida dos pequenos leitores. Destaco os livros que falei aqui, gosto tanto deles que os ofereço a quase todos os miúdos. E a verdade é que a Carlota adora-os e passa a vida a folheá-los.

A partir dos oito anos:

  • Coleções – Não tenho muita experiência nesta idade, mas pedi auxilio aos miúdos do ATL e aqui vão as suas sugestões! Coleções como “O Diário de um Banana”, “Diário de uma totó”, “Diário de um Vampiro Banana”, “Big Nate” são dos seus favoritos. Mas também como não ser assim, há uns anos eram as coleções “Uma Aventura” ou “Os Cinco” que deixavam miúdos agarrados às suas histórias.
  • Livros de poemas – Há uns tempos conheci os livros de José Jorge Letria (da BookSmile) e fiquei encantada. Não podia deixar de falar neles. Não são dos que a Carlota mais gosta, mas os meus miúdos adoram (e têm cinco anos). Já lhes li alguns e é sempre uma animação. As rimas são engraçadas, falam, não raras vezes, de objetos ou situações da vida quotidiana.
  • Livros científicos – Podem ser livros mais complexos, com os assuntos tratados de forma mais aprofundada, já que a capacidade de concentração, de abstração e compreensão é muito maior. Destaco a coleção “Viagem pelo(a)” (da BookSmile), a Carlota já a tem completa e eu gosto bastante.

Agora as imagens, há alguns dos quais não falo no texto, mas que são muito giros e interessantes! 🙂

Diga-me uma coisa, por favor, acha útil que vá partilhando os livros que lemos e que vão aparecendo cá por casa? E este artigo, considera-o útil? Já conhecia os livros que mostro?

*Beijinhos*

Sofia

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O açúcar é uma droga!

Já não é a primeira vez e, com certeza, não será a última que leio ou ouço aquela frase. Então, porque continuamos a oferecer, insistentemente, açúcar aos mais pequenos? Usamos, não raras vezes, a desculpa “é só de vez em quando!”. E o que é de vez em quando? Uma vez por semana, uma vez por mês, uma vez por ano? Será que conhecemos o verdadeiro sentido do “de vez em quando”? Parece-me que não e que abusamos muito dessa desculpa. Ora, se uma criança, por exemplo, tem três aniversários na escola durante uma semana, se ao fim de semana lhe oferecem uma guloseima, o que significa isso? Que quase todos os dias come açúcar!
A verdade é que, apesar de não ser fundamentalista, tenho bastante cuidado com a alimentação da Carlota. Não lhe dou chupas, rebuçados, gomas e afins, os iogurtes que come são, maioritariamente, naturais, o chocolate tem 85% de cacau… Não digo que não come, porque come, mas em casa ninguém lhe dá! Apenas lhe damos bolacha tostada, “do Manel”, como ela diz! Mas o que mais me incomoda é ouvir a típica frase “coitadinha da criança, nem sabe o que é bom!”, como se fôssemos algum E.T.! Está mal! A minha filha sabe bem o que é bom, porque o que ela come é muito bom!

Está na hora de mudar hábitos e mentalidades, está na hora de alterar o discurso.

A minha filha não é nenhuma coitadinha, a minha filha é feliz com as escolhas que nós adultos fazemos por ela. A Carlota sai feliz do supermercado com um pacote de tomate cereja na mão, ou com um saco de frutos secos, ou com os iogurtes que costuma comer… Há dias uma senhora na caixa admirou-se porque ela ia toda contente com os tomates na mão: “não come porcarias, vai toda contente com os tomates!”. E não me pede guloseimas? Claro que pede. Há, junto de algumas caixas, chupas em forma de guarda-chuva, e não são poucas as vezes que me pede. A resposta já a conhece, pede sempre a sorrir, como que a ver se cola, mas não, e também não há birra. Sabe quais são as guloseimas que ela come? Boiões ou pacotes de fruta. De vez em quando, muito de vez em quando, dou-lhe. Tento comprar sem açúcar adicionado (leio os rótulos todos!). E sou sincera, faz-me alguma confusão ver crianças pequenas, bebés então nem se fala, a comer chupas, rebuçados e afins! Manias, é verdade, mas são as minhas e cada um tem as suas, não é verdade?

Mas o que é preciso perceber é que o açúcar vicia, causa dependência e isso faz mal, muito mal!

E por aí, é assim chatinha com a alimentação? Ou é mais flexível?
Como faz? Conte-me tudo!

*Beijinhos*

Sofia

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Passagem para o primeiro ciclo… o que realmente importa

Os meus meninos, são, na sua maioria, finalistas, pelo que a maioria das crianças ingressa no primeiro ciclo do ensino básico, vulgo escola primária, no próximo ano letivo. A verdade é que me deparo muitas vezes com algumas dúvidas sobre o que realmente importa. Que competências devem ser avaliadas e observadas? Que competências devem ser trabalhadas? Questiono muitas vezes o que podemos fazer em casa. Tendo tudo isto em mente, pesquisei, questionei, pedi ajuda e elaborei um post, que pretende ser um guia para pais e educadores nesta tarefa tão importante que é preparar as crianças para a escola primária! Mas não pense que serve só para os ditos finalistas. Não, todas estas competências podem e devem ser trabalhadas desde muito cedo. Com a Carlota já trabalho quase todas há algum tempo e, não, a minha filha não é sobredotada. É uma criança normal, que tem uma mãe que gosta de trabalhar com ela competências que sabe serem importantes! 🙂

Então, aqui vão algumas das competências essenciais para a entrada no primeiro ciclo:

  1. Maturidade! Para mim, a mais importante competência a avaliar, compreendendo que, à partida, existe uma idade ótima para as aprendizagens escolares, em termos de neurodesenvolvimento: os 7 anos. É importante observar que capacidade da criança em aspetos tão comuns como o adiar de uma recompensa; o conseguir esperar pela sua vez; o seguir as regras de convivência; o tolerar a frustração; e ainda a curiosidade/interesse em apreender e perceber que já não é só para brincar. O que podemos fazer: não ceder a birras (aumenta a sua capacidade de lidar com a frustração), responsabilizar (SEMPRE), é preciso explicar à criança que a sua atitude não foi a mais correta, fazê-la refletir e perceber. Se compreende logo? Claro que não, mas não é por isso que deixamos de o fazer. Também é importante o brincar, mas isso podem ler aqui. Outra coisa que podemos, e devemos, fazer é permitir à criança o fazer sozinha, promovendo sempre a autonomia.
  2. Consciência fonológica, ou seja, pensar e perceber os sons das palavras. Como podemos ajudar?Soluçar uma palavra para a criança adivinhar o que estamos a pensar, dividir as palavras em sílabas com batimentos rítmicos (palmas), perceber se as palavras rimam, dizer a primeira sílaba da palavra, encontrar palavras que começam pela mesma sílaba ou o mesmo fonema, evocar palavras com uma sílaba ou um fonema… Tudo isto são exercícios que podem ser feitos em casa de forma divertida!
  3. Concentração! Umas das coisas importantes a ter em conta é a capacidade da criança em direcionar a sua atenção e manter-se na tarefa. E isso pode ser trabalhado em casa? Pode e é super fácil de fazer. Com puzzles, desenhos, plasticina, legos, cartas… Tudo o que faça a criança estar sentada, quieta e sossegada! Dá algum trabalho, até porque se não está habituada a fazê-lo vai-lhe custar e vai rejeitar, mas o que tem que ser tem muita força! E não são jogos e puzzles no tablet ou no telefone. É na mesa, com os de cartão. Esqueçam os ecrãs quando o objetivo é trabalhar a concentração, é pelo melhor.
  4. Raciocínio! Pode parecer um exagero, mas há perguntas e jogos que se pode fazer e que são um enorme treino para o cérebro. Por aqui a pergunta clássica: “Tens dois rebuçados, dou-te mais um, com quantos ficas?”. Este é o início de um jogo que pode ter imensas variantes. Ao princípio custa-lhes, mas depressa percebem a mecânica. Para além disso pode ser feito em qualquer lado, no carro, numa ida ao supermercado, à mesa…
  5. Interpretação de textos. As histórias são um importante aliado no desenvolvimento de algumas competências na criança. Desde logo a capacidade da criança desenvolver a imaginação, a compreensão do mundo e a criatividade. Mas para isso a criança terá que os interpretar, terá que perceber um texto, perceber do que fala a história, quais as personagens ou onde se localiza a ação.  E não é difícil de trabalhar esta competência, se a cada história que contamos acrescentarmos algumas questões. Para além disso estamos a trabalhar a concentração!

*Beijinhos*

Sofia

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