O seu filho come mal? Isso também pode ser bom!

Esta é a visão de quem já viveu de perto a realidade de crianças que comem mal e das que comem bem de mais. Tive em casa uma que não comia quase nada e hoje tenho uma que come melhor. Qual preferia? A que come mal, mil vezes. Uma criança nunca morre à fome, é uma questão de sobrevivência, já ter que negar comida a uma criança porque come de mais, isso sim, é complicado. Cá em casa o mais velho nunca queria comer, a mais nova (apesar de comer bem o que lhe agrada) por vezes também não quer. Se me preocupo? Nada. Alturas houve que me preocupava imenso com isso, hoje não. Não quer comer, não come. Mas quando quiser comer, come o que eu quero e não o que ela quer. Se assim não fosse alimentava-se a gelados e bolachas e isso não pode ser, pois não? Acaba por comer, contrariada, mas come. E come porque sabe que não tem outra alternativa.

E por que é que ter um filho que come mal pode ser bom!

Porque nunca, mas nunca mesmo, vai ter problemas com excesso de peso. Porque pode comer o que quiser. Porque não necessita de fazer restrições. Porque comer mal é mais saudável do que comer de mais. Ou acha que uma criança magra, mesmo que seja muito magra, é menos saudável do que uma obesa? Já vi crianças sofrerem com diabetes devido à má alimentação, crianças obesas, com demasiado açucar no sangue, and so on e isso é tão mau! E muitas vezes o problema está só em casa (e eu contra mim falo). A verdade é que muitos dos que comem mal, só comem mal em casa. Tenho disso na sala desde sempre, faz parte. E em casa também! A terapia de grupo funciona desde tenra idade, pelo menos parece. Se não come nunca, de maneira nenhuma e em local nenhum, bem isso já é preocupante. Mas a verdade é que, por muito que nos custe, a nossa ansiedade ainda vai prejudicar mais. Tente manter a calma e pense sempre que é preferível…

…ter uma criança em casa que coma mal, do que uma que come de mais! 🙂

E por aí como é? Comem mal, bem, assim assim… Fica muito angustiada ou relativiza e espera que a fome venha? Conte-me tudo! 🙂

*Beijinhos*

Sofia

Siga-nos no Instagram —> @sofiasalgadomota
E no Facebook —> Pedaços de Nós

 

9 dicas para ensinar a criança a comer de tudo!

Sou mãe, há já 22 anos, de um adulto que quando criança comia MUITO mal e também sou educadora, o que me confere alguma experiência nisto da alimentação. Para além do mais, eu não comia grande coisa quando era miúda, o que me dá algum conhecimento sobre como funcionam estas coisas de ter pouco apetite. Sei, por exemplo, que crianças que comem mal não gostam de pratos muito cheios. Ver o prato cheio dá nó no estômago e tira apetite. Também não concordo que se obrigue a comer, mas acho que devemos educar para que comam de tudo, que provem e que não desistam à primeira. Com o Rui cometi alguns erros, hoje há uma data de coisas que diz não gostar, mas que nunca provou. Com a Carlota já procedo de forma diferente. Ela começou a comer sopa aos quatro meses (contei tudo aqui) e enquanto a sopa e a papa aceitou muito bem, já a fruta… Foi uma história muito diferente. Se desisti? NUNCA! Dei-lhe por partes. Numa semana só lhe ofereci maçã, depois pêra, a seguir banana, manga, papaia e por aí fora. Quando dei por ela, já gostava mais de fruta do que de outra coisa qualquer. O mesmo aconteceu com o iogurte. Ainda hoje só come o natural (sem açúcar). Da primeira vez comeu meia colher e cuspiu. No segundo dia uma colher, ao terceiro duas e ao fim de quatro dias comeu um inteiro. É tudo uma questão de hábito. Se era mais fácil dar-lhe um com açúcar, era, mas aqui não se trata do que é mais fácil. No que à educação diz respeito, alimentação incluída, não defendo NUNCA o mais fácil, mas o que é melhor para a criança e todos sabemos que açúcar não é! Há umas semanas comecei a colocar legumes inteiros na sopa, no primeiro dia deitou fora e custou-lhe muito, hoje come como se nada fosse. É assim com tudo o que aparece e não gosta, depois habitua-se. Se alguma vez a obriguei? Não, nunca!

Vamos então às dicas:

  1. Nunca pergunte à criança se gosta. Ofereça-lhe! Dê-lhe e espere.
  2. Não dê só uma vez, dê várias, imensas, o paladar educa-se, mas educa-se mesmo. Dizem que para gostarmos de algo temos que provar 11 vezes, a experiência diz-me que não é preciso tanto.
  3. Criatividade, acima de tudo. Tinha um grupo de alunos que era fã de futebol, disse-lhes muitas vezes que o feijão faz crescer o cabelo como o do Nuno Gomes, a elas dizia que ficavam como a Rapunzel e era tiro e queda. Hoje, é mais comer legumes para ser bom como o Cristiano Ronaldo. Basta perceber qual é o interesse da criança e fazer uso disso. Em casa pode não resultar, mas na escola resulta sempre. 🙂
  4. Coloque sempre no prato tudo aquilo que quer que a criança coma, hoje pode não comer, mas um dia vai provar, a curiosidade trata disso, e vai ver que gosta.
  5. Diversifique, desde que é bebé, o máximo que conseguir os alimentos. Quanto mais diversificados forem os paladares a que criança está habituada, melhor.
  6. Leve a criança às compras, envolva-a na escolha dos alimentos e depois na confeção. Elas sentem-se úteis, sentem que fazem parte de todo o processo, que ajudam, sentem-se crescidas!
  7. NUNCA diga que não gosta, tente até comer alguma coisa que não aprecia, o exemplo é o melhor aliado.
  8. Não desespere, a criança acaba por comer, é uma questão de sobrevivência.
  9. Não substitua. Se de todas as vezes que não comer a refeição esta for substituída por algo que agrade mais, aí tudo se torna muito mais difícil!

Agora uma curiosidade! Mais vale ter uma criança que come mal do que ter uma a quem temos que negar comida. Sim, isso existe e é MESMO muito mau! 🙂

*Beijinhos*

Siga-nos no Instagram —> @sofiasalgadomota
E no Facebook —> Pedaços de Nós